Autor: Hathi Studios

A descentralização tem conquistado espaço nos últimos anos, impulsionada pelo crescimento do mercado de criptomoedas. Após o Bitcoin atingir sua máxima histórica em 2017 – já superada em 2021, empresas passaram a considerar de que maneira integrar a tecnologia blockchain em seus processos de infraestrutura. Além das corporações, cada vez mais usuários do varejo passaram a se interessar pela ideia de ausência de intermediários e pontos únicos de falha.

No meio do caldeirão de ideias que surgiram após a blockchain chegar ao mainstream, o conceito de Web3 ganhou tração. A ideia da Web3, contudo, não nasceu agora. Sua primeira menção foi feita em 2014 por Gavin Wood, um dos cocriadores do Ethereum, e foi retomada com fervor em 2021.

A Web3 sugere mudanças importantes para a forma como navegamos hoje na internet, e é bom entender como ela funciona. Nas linhas a seguir, serão abordados os seguintes tópicos:

  • Web3 não é Web 3.0: uma rápida diferenciação sobre esses dois conceitos;
  • Diferença de Web 2.0 para Web3: migrando de centralização para descentralização;
  • Entendendo a Web3: uma explicação de fácil entendimento sobre o que é a Web3.

Web3 não é Web 3.0

Entusiastas geralmente tratam Web3 e Web 3.0 como conceitos semelhantes, mas não são. Embora a primeira tenha sido mencionada originalmente em 2014, ela é uma espécie de ‘transformação’ do conceito. Tim Berners-Lee, o inventor da rede mundial de computadores, foi responsável por falar pela primeira vez sobre Web 3.0 em 1999.

A Web Semântica, como a Web 3.0 também é chamada, consiste em uma nova série de padrões para a rede mundial de computadores. A intenção é tornar os dados da internet possíveis de serem lidos por dispositivos, possibilitando a criação de vocabulários para dados e a armazenagem de dados online, dentre outras coisas.

A ideia da Web 3.0 é aproveitada para a Web3, sendo sua versão criada sobre a tecnologia blockchain. O uso de registros distribuídos permite uma experiência na internet onde há descentralização e o uso de tokens. No fim das contas, são conceitos parecidos, mas não são a mesma coisa.

Diferença de Web 2.0 para Web3

Antes de começar a explicar as diferenças, é melhor ilustrá-las com uma imagem. Ela já circula há tanto tempo que ninguém mais sabe quem é o autor. O que se sabe é que ela ajuda a esclarecer as coisas:


A Web 1.0 é o que foi praticado desde os primórdios da internet até a explosão em popularidade das grandes empresas de tecnologia, como Google e Facebook – as big techs. Nesse modelo, é necessário ter um usuário para cada site que você visita e cobra credenciais de acesso.

Já a Web 2.0 traz uma era de comunicação dos dados através de integração de plataformas. É comum que quase todos os sites permitam o acesso por meio da conta do Google hoje. Em meio às compras em uma loja online e, na hora de fazer o login, te dão a opção de entrar com o Gmail. Muito prático, né?

Essa era da internet é, contudo, muito problemática. Além da comunicação de dados, a comercialização e o vazamento dessas informações também ficaram populares. O usuário vira um produto e não recebe pelos dados que fornece. Apesar da conectividade entre plataformas, a centralização se tornou maior. O Google sabe, por exemplo, todos os sites nos quais você conectou seu Gmail.

Ilustrando: o Google sabe onde você compra, o que você gosta de ler, em quais fóruns você está presente etc. É assim que, ao entrar em uma loja online para dar ‘só uma olhadinha’, o Google sabe quais anúncios veicular para você. Assustador, né? A sensação que surge é uma falta de controle sobre os nossos dados: a privacidade é violada; vidas são expostas para quem pagar mais – ou para quem estiver decidido a invadir bancos de dados.

No entanto, e se as plataformas não tivessem acesso aos seus dados? Assim como é possível comprar e vender criptomoedas sem saber a identidade de quem está do outro lado, se você fosse só um monte de números e letras que se conectam a uma plataforma, a sua identidade se manteria protegida. Bom, isso é a Web3.

Entendendo a Web3

Agora que esclarecemos esses detalhes técnicos e entendemos algumas diferenças, vamos focar na Web3. É comum encontrar visões diferentes sobre o que é a Web3, mas o consenso é que essa proposta para uma nova era da internet pretende devolver aos usuários o controle sobre seus próprios dados. Com isso, a segurança e a privacidade de quem navega é mantida, diferente do que ocorre hoje.

Esse conceito abre portas para inúmeras possibilidades. O navegador Brave, por exemplo, te paga para ver anúncios através de tokens – isso é uma aplicação da Web3, pagando por interações específicas. De certa forma, o usuário continua sendo um produto, mas é pago para isso.

Existem sites para leitura e publicação de artigos, como o Mirror, onde produtores de conteúdo se conectam através de suas carteiras. Eles podem ser remunerados diretamente, sem a necessidade de intermediários. Além disso, suas identidades são protegidas.

Ainda na produção de conteúdo, imagine o seguinte: você escreve textos para um blog, que usa algum serviço de hospedagem. Ainda que você tenha os textos salvos em algum lugar offline, se o serviço de hospedagem fechar e o blog acabar, você perde seus textos. Será necessário achar outra plataforma, em outro serviço de hospedagem, e publicá-los novamente.

Agora, se seu conteúdo está gravado em uma blockchain, está tudo registrado para sempre. Um texto pode ser registrado como um token, bastando apenas enviar de um lugar para outro. Esse é um exemplo de como a Web3 devolve ao usuário a posse sobre seus conteúdos.

Desta forma, os tokens, NFTs e outros ativos entram na Web3 como forma de incentivo. Para que uma blockchain continue operando, são necessários dispositivos para manter os registros descentralizados. Os usuários da rede que se dispõem a mantê-la em funcionamento são recompensados com tokens. É assim que as moedas digitais se relacionam com a Web3, embora não sejam necessárias para que esse conceito exista.

Outro bom exemplo são as exchanges descentralizadas. Através de um site onde o usuário conecta sua carteira, é possível negociar criptoativos. Isso é uma aplicação na Web3. Não foram exigidas informações capazes de identificar o usuário, apenas o endereço da carteira. A privacidade se torna novamente possível para quem navega na internet.

O resultado da descentralização das informações é a dificuldade de vazamentos. A menos que um usuário se identifique, não é possível vazar em qual site ele faz mais compras, em qual fórum ele é mais ativo ou quais horários ele mais usa a internet. A baixa exposição aumenta a segurança.

Ao remover o sistema de guarda centralizada de dados, como Google, Meta (ex-Facebook) e outras big techs fazem hoje, o usuário é o maior beneficiado. Por isso tanto se fala em Web3 quando o assunto é blockchain. Vamos resumir o que foi falado para ajudar a identificar se um projeto é Web3 ou não:

  • Controle dos dados é do usuário: você é dono do que publica, você pode receber remuneração por interagir com as plataformas e não há exigência de dados pessoais;
  • Foco na privacidade: você é apenas uma carteira, um aglomerado de números e letras. Ninguém te obriga a se identificar, você escolhe fazê-lo;
  • Segurança acima de tudo: os dados são descentralizados, não há um ponto único de falha que armazena seus dados;
  • Criptoativos não são obrigatórios: a presença de tokens não é obrigatória, mas aumenta as possibilidades de interações em plataformas.

Esperamos que, daqui para frente, você não se perca ao ler o termo Web3!