? Com tudo que aconteceu em 2020, é provável que você tenha passado mais tempo no celular, computador ou televisão, afinal aquele convite ao cinema ou teatro se tornou uma dica de um bom conteúdo, que será tema da próxima conversa por vídeo.

? Talvez, assim como eu, você também tenha recebido a indicação para assistir a série documental do Netflix: "A Era dos Dados", mais especificamente o episódio "Dígitos" que tem causado uma impressão mais forte para pessoas curiosas ou com um certo gosto por números. Alerta: há grandes chances de você querer saber mais  sobre este tema. ? #FicaADica

? A lei que também é conhecida como Lei do Primeiro Dígito ou Lei dos Números Anômalos, foi observada inicialmente em 1881 pelo astrônomo canadense Simon Newcomb, e formalmente estruturada por Frank Benford em 1938. Ela diz que ao contrário do que se possa pensar, a ocorrência dos números menores [1,2,3] como primeiro dígito é consideravelmente maior que dos maiores [7,8,9]. Segundo Benford, a distribuição de algarismos do primeiro dígito de um conjunto de números é totalmente contra-intuitiva:

1º Dígito

1

2

3

4

5

6

7

8

9

Probabilidade de Ocorrência

30,1%

17,6%

12,5%

9,7%

7,9%

6,7%

5,8%

5,1%

4,6%

? Provavelmente, o uso desta lei se popularizou nas últimas décadas devido ao fácil acesso a computadores mais potentes, capazes de processar imensos conjuntos de dados de diversas magnitudes. Esta é uma característica para a aplicação desta lei, assim como, não impor um intervalo restrito, e serem aleatórios.

? O episódio cita exemplos de aplicações como dados estatísticos geográficos, esportivos, musicais, financeiros, e análise de eleições ou de imagens falsas. Outros exemplos que você pode encontrar são: bolsas de valores, auditoria de obras públicas, quantidade de casos de Covid-19, e muito mais.

? Depois de pesquisar mais um pouco para separar um possível misticismo da natureza real desta lei, similar à Proporção Áurea e à Sequência de Fibonacci, comecei a buscar por mais aplicações e como um bom entusiasta de criptomoedas, combinei "Benford"+"Bitcoin" no Google. Apesar de uma quantidade interessante de resultados, não achei nada relacionado ao Brasil.

?Que ótima oportunidade! Graças aos relatórios disponíveis no Cointrader Monitor, consegui gerar um gráfico dos volumes diários de negociação de Bitcoin em Reais das exchanges existentes no Brasil nos anos 2019 e 2020, e comparar como se ajustam à Lei de Benford:

? Você pode ver que o volume de Bitcoin negociado em Reais no mercado brasileiro nesses últimos dois anos está em conformidade com a Lei de Benford, isto nos inspira confiança e demonstra um mercado amadurecido. Porém, ao distribuir o volume por exchange, você verá que algumas apresentam distorções significativas e isto pode ser um indicativo de dados artificiais, alterados propositalmente.

? Os nomes das exchanges foram ocultados, pois o objetivo aqui é concluir a importância de se informar bastante antes de confiar seus ativos a uma corretora e que nem todo o volume aparente é o volume real. Mas não se deixe assustar com isto, afinal esta análise também mostra que existem empresas muito sérias e responsáveis dedicadas a contribuir para a melhoria constante deste mercado e a gestão competente dos seus ativos digitais.