Author: Lucas DiFresco


A América Latina é uma região demarcada por sua alta inflação, economias instáveis e cidadãos investidos e dedicados no universo crypto e blockchain. Entender a alta velocidade e volatilidade dos avanços em criptomoeda (principalmente as pareadas em USD) é quase uma questão de necessidade para escapar desses desafios financeiros e obstáculos que afetam o dia-a-dia.

No caso presente, a Argentina não é uma exceção. É um país que sobreviveu a diversas crises financeiras, com cidadãos à penúria com inflação crescente – a compra de dólares não se tornou apenas uma maneira de diversificar a carteira, mas também uma forma de guardar dinheiro e preservar seu valor.

Comparada com outros países da América Latina, a Argentina sofre com a população desbancarizada – dados do World Bank afirmam que menos de 50% de seus cidadãos possuem acesso a serviços bancários, perdendo para o Brasil e Chile. Aos que possuem acesso, a compra é limitada em até 200 dólares por mês pelos canais oficiais, com uma taxa adicional de 65%. Não é surpresa que o interesse em cripto e stablecoins esteja florescendo.

O último baque aconteceu no último final de semana, em que o ministro de economia da Argentina renunciou após o Peso atingir uma baixa histórica contra o dólar no mercado paralelo, utilizado por pessoas comuns e companhias para burlar o controle dos canais oficiais, e uma manifestação de motoristas de caminhão. (Bloomberg)

O ministro Guzman estava na mira das críticas após a inflação atingir mais de 60%. Com sua resignação, também criaram-se dúvidas sobre como a Argentina pagaria uma dívida de mais de 40 bilhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional – cujos objetivos e expectativas para o segundo semestre de 2022 são vistos por economistas como “difíceis demais para serem atingidos". Além disso, o banco central argentino está consumindo suas reservas de capital estrangeiro, dificultando importações e outras consequências.

Após a demissão de Guzman, o peso caiu 15% contra as stablecoins DAI, USDC e USDT em exchanges locais, enquanto usuários e consumidores buscavam uma vantagem com a deflação do Peso Argentino (ARS) – um crescimento de ARS 245 para ARS 280 no final de semana. O pico veio em seguida com o apontamento de Silvina Batakis para a posição, com pareamento no USDT atingindo ARS 303 por token.

Pela falta de referência no preço do dólar no final de semana, a maioria das exchanges locais aumentou o spread entre bid e ask de 2% para 18%. “É claro e observável que o mercado consumidor está procurando stablecoins, independente do preço. Operações em stablecoins triplicaram no final de semana, e isso consolida o mercado cripto como referência”, afirmou o economista Nicolas Litvinoff em entrevista ao cronista.com.

Stablecoins como USDT, USDC, USDP, BUSD e o pareado por ouro PAXG (todas disponíveis na Blocktane, além de vários outros) visam promover uma estabilidade de preço para encorajar um uso mais amplo e disseminado no ecossistema cripto. Pensado como uma forma de minimizar a volatilidade natural do universo das criptomoedas, as Stablecoins também representam a democratização da estabilidade financeira em economias instáveis. Com a necessidade de proteger o valor das finanças de cada cidadão, as exchanges fornecem um possível espaço seguro para as Américas.