A Ethereum, hoje conhecida mundialmente pela blockchain com o maior número de transações ligadas a NFTs e protocolos de de-fi. A rede tem sido pauta de notícias desde que mudanças significativas foram anunciadas pelo time do projeto.

Em dezembro de 2020, a Beacon Chain entrou no ar. A tecnologia não mudou completamente a blockchain do Ethereum, mas foi o pontapé inicial para o então chamado "Ethereum 2.0".

Apesar de não influenciar diretamente, a Beacon Chain vem para reorganizar os próximos blocos da blockchain da ethereum, abrindo caminho para a mudança do protocolo de validação, aos poucos se afastando do antigo protocolo de prova de trabalho.

O fechamento de todas as implementações efetuadas pela equipe da Ethereum culminarão no "The Merge", que ocorrerá, a priori, em agosto de 2022.

Mas o que é, e o que mudará após a finalização desse processo, é o que veremos melhor abaixo.

O que é "The Merge"?

Conforme o próprio nome diz, The Merge é a "Integração" entre a Beacon Chain com a Mainnet do Ethereum, surgindo, então, a esperada Ethereum 2.0. Até então, ambas estavam agindo de maneira dissociada –  sendo o objetivo  tornar a Ethereum mais escalável, segura e sustentável.

Enquanto a Beacon Chain se tornará responsável por coordenar a rede expandida de Shards, a Mainnet continuará registrando as contas e os contratos inteligentes da rede Ethereum. Atuando em sincronia, ambas permitirão ainda mais funcionalidades e future-proofing.

No período pré "The Merge", a Mainnet da rede Ethereum continua a ser protegida pela prova de trabalho (proof-of-work - PoW), mesmo enquanto a Beacon Chain é executada em paralelo usando prova de participação (proof-of-stake, ou PoS).

Em suma, essa mudança afetará apenas como os validadores (que substituirão a figura do minerador) chegam a um acordo sobre quais transações farão parte da história da blockchain.

E o que muda?

Atualmente, na Mainnet atual do Ethereum, é utilizado o PoW como protocolo de validação de blocos.

O PoW é um processo eficiente, porém custoso, pois é necessário alto consumo de energia para a validação dos blocos, o que gera discussão por conta dos possíveis danos ao meio ambiente.

A alta demanda energética, por vezes advinda de fontes não renováveis, tais como o carvão, foi um dos pontos para a mudança de protocolo de validação dos blocos.

Porém, apesar de uma boa parte da energia utilizada pelas mineradoras de criptomoedas virem de fontes renováveis, como hidrelétricas e solares, a mudança é bem vinda pelo menor consumo energético final.

Com a integração e a mudança para o PoS, não será mais necessário um alto consumo energético para a validação da rede, o mesmo acontecendo pelos validadores que fazem staking de ETH na rede.

Como a Beacon Chain utiliza o PoS, ele não suporta atualmente os aplicativos e smart contracts, algo que a Mainnet do Ethereum já tem em funcionamento.Porém isso mudará após esse evento, a seguir como essa mudança deverá funcionar.


E depois?

Com a integração pronta, o Ethereum Mainnet irá "se fundir" com a Beacon Chain, utilizando integralmente o proof-of-stake ao invés do proof-of-work.

A Mainnet trará a capacidade de executar contratos inteligentes no sistema de prova de participação (PoS), além do histórico completo e do estado atual do Ethereum, para garantir que a transição seja tranquila para todos os detentores e usuários de ETH.


A migração para o PoS permitirá que os nodes validem as transações de acordo com quantas moedas (múltiplos de 32 ETH) eles coloquem em stake, tal qual um cofre digital. Em troca de fazerem stake das moedas, os nodes têm maior probabilidade de serem escolhidos para validar transações na rede e ganhar recompensas em ETH pela participação na rede.

Vale informar que alguns recursos, como a retirada de ETH em stake ou da recompensa ganha, não serão disponibilizados nesse primeiro momento. Esse e outros recursos ficarão disponíveis em atualizações futuras.

Isto significa taxas de transação (gas fees) mais baratas?

O escopo do “The Merge” é limitado à atualizar o mecanismo de consenso da Ethereum, com a intenção de evitar qualquer impacto na atual experiência do usuário. Atualizações futuras virão com o objetivo específico de redução dessas taxas.

Se tudo seguir conforme planejado, a rede Ethereum reduzirá substancialmente seu impacto ambiental; aumentará a escalabilidade da rede, podendo assim aumentar o investimento institucional na rede Ethereum.

Para o usuário recorrente, a experiência com o Ethereum não mudará - “A Integração” é uma atualização na camada de consenso da rede, enquanto a camada de dados/aplicativos não será afetada.A


A transição para Prova-de-Participação (PoS) do mecanismo de consenso da blockchain da Ethereum está presente desde 2014 na visão inicial do projeto, para alguns já está até atrasada, mas as principais vozes do Ethereum - incluindo Vitalik Buterin - uma atualização tão significativa necessita ser executada da forma mais segura possível. No dia 08 de junho de 2022, esta atualização foi executada com sucesso na rede de testes Ropsten, em um processo idêntico ao que será executado em poucos meses na rede principal, evento altamente aguardado pelo mercado como um todo e que será sem dúvida um marco histórico.

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