Ainda hoje em dia, quando descrito para ouvintes de primeira viagem, o Ethereum parece bom demais para ser verdade, embora apareçam alguns desafios no caminho, muitos dos seus objetivos iniciais já foram alcançados e o futuro parece brilhante para alcançar muitos mais. Ethereum é o "blockchain mundial programável", originado de um whitepaper publicado em novembro de 2013, escrito por Vitalik Buterin aos 19 anos de idade, envolvido com Bitcoin desde 2011. Por sua vez, o Ether é a criptomoeda que abastece todo o sistema do blockchain do Ethereum, é usado para pagar taxas de transação, para recompensar aqueles que contribuem com a estrutura (mineradores hoje, em breve participantes 'stakers'), e é o ativo digital negociável que mostra como o mercado está avaliando essa marca sem fins lucrativos.

Em 2012, Vitalik passou o ano todo viajando ao redor do mundo participando de eventos para a Bitcoin Magazine, que ele co-fundou com Mihai Alisie. Essa experiência o ajudou a conhecer as possibilidades da tecnologia Blockchain. Enquanto isso, também trabalhava com a Mastercoin (o primeiro ICO de todos os tempos - agora chamado de Omni Layer, esse mesmo, o protocolo original para o USDT da Tether), e esteve envolvido em vários outros projetos notáveis, incluindo Egora, Colored Coins, Dark Wallet e KryptoKit. Desse modo, ele percebeu "que todos os vários projetos de blockchain estavam focados no desenvolvimento de altcoins com recursos variados, mas que isso era uma limitação do potencial do blockchain. Portanto, ele acaba criando o Ethereum, que oferece uma maneira das pessoas se conectarem a aplicativos distribuídos em seu próprio blockchain, sem precisar confiar umas nas outras."
Fonte: Coindesk

"Em vez de ter um protocolo com muitos recursos, o que você tem é um protocolo com uma linguagem de programação integrada para que você possa desenvolver os recursos que quiser nesta plataforma. É uma espécie de sistema de consenso descentralizado e totalmente abstrato."
Vitalik Buterin para a Singularity.FM em 04 de junho de 2014.

Depois de publicar a tese (whitepaper) do Ethereum em 2013, Vitalik convidou para co-fundar o projeto um grupo de 7 pessoas que o abordaram interessadas em contribuir com esse empreendimento. A maioria deles eram desenvolvedores entusiasmados para criar essa inovação incrível e os outros eram visionários de negócios que já podiam reconhecer o valor dessa ideia. Porém, eles não ficaram juntos por muito tempo. A empresa foi lançada oficialmente em 2014, mesmo ano em que Vitalik foi premiado com o Thiel Fellowship e recebeu cem mil dólares para usar em projetos atuais e futuros nos próximos dois anos. Depois do grupo se mudar para uma casa nos bosques de Zug - Suíça, a divergência entre ser uma organização sem fins lucrativos ou com fins lucrativos aumentaria após a Oferta Inicial de Moedas (ICO - Initial Coin Offering) que arrecadou 18 milhões de dólares e acabaria causando a saída de alguns co-fundadores, e mais tarde, outros assuntos afetariam os remanescentes. O resultado final foi Vitalik se tornando o único fundador ainda à frente do Ethereum dando continuidade à sua visão predominante: o computador universal, uma fundação sem fins lucrativos.

  • Dos oito co-fundadores do Ethereum, apenas Vitalik Buterin ainda está trabalhando ativamente na plataforma blockchain.
  • Charles Hoskinson (Cardano - ADA) e Gavin Wood (Polkadot - DOT) deram início a blockchains rivais; Anthony Di Iorio (Jaxxwallet), Amir Chetrit e Jeffrey Wilcke ajustaram o foco para outros mercados.
  • Mihai Alisie (Akasha) e Joseph Lubin (ConsenSys) iniciaram empresas para ajudar a construir as camadas de aplicação e comunidade da Ethereum.

Fonte: Decrypt

A sede principal da empresa é em Zug - Suíça, mas existem sedes adicionais em Toronto e Londres, com mais por vir. A organização abrange todo o mundo, no entanto, com comunidades e encontros no Canadá, Estados Unidos, Ásia e até mesmo na África. “Somos uma organização distribuída geograficamente”, explicou Buterin na época. O Blockchain do Ethereum foi lançado oficialmente em 2015, com um grande foco em sempre incentivar os desenvolvedores a criar aplicativos descentralizados e explorar ainda mais todos os recursos dos Smart Contracts* (Contratos Inteligentes).

*Smart Contract: é um código de computador que pode ser desenvolvido no blockchain para facilitar, verificar ou negociar um acordo de contrato. Os smart contracts operam sob um conjunto de condições com as quais os usuários concordam. Quando essas condições forem atendidas, os termos do acordo são automaticamente cumpridos. Por exemplo, um potencial inquilino gostaria de alugar um apartamento usando um smart contract. O locador concorda em fornecer ao locatário o código da porta do apartamento assim que o locatário pagar o depósito caução. Tanto o inquilino quanto o locador enviaríam suas respectivas partes do negócio para o smart contract, que manteria e trocaria automaticamente o código da porta pelo depósito caução na data de início do aluguel. Se o locador não fornecer o código da porta na data do aluguel, o smart contract reembolsará o depósito caução. Isso eliminaria as taxas e processos normalmente associados ao uso de um cartório, mediador terceirizado ou advogados.
Fonte: Investopedia

Caso queira saber mais sobre o código usado, a Solidity é a principal linguagem de programação (orientada a contratos) usada na plataforma Ethereum, proposta inicialmente por Gavin Wood em agosto de 2014. A maioria das pessoas que gosta de criptos com certeza já ouviu falar sobre isso. No entanto, não é o único, Serpent, LLL, Viper e Mutan são outras linguagens relativamente populares ao interagir com a interface de programação chamada “Ethereum Virtual Machine” (EVM).

É surpreendente perceber que desde o início em 2014, já estava presente no projeto, o objetivo de fazer a transição de Prova de Trabalho (PoW - Proof-of-Work) para a Prova de Participação (PoS - Proof-of-Stake), assim como a vontade de descentralizar tudo o que for possível: armazenamento de dados, hierarquia organizacional, tomada de decisões, pesquisas, finanças, identidades, fluxo de trabalho, moedas, reservas de valor, publicidade, jogos, arte e muito mais. Para isso, foram criados padrões de Tokens, sob uma relevância muito semelhante a do Ether para o Ethereum, cada smart contract pode ter seu próprio token para transportar informações e valor. O padrão mais popular é o ERC-20 (Ethereum Request for Comment e 20 é o identificador da proposta). Mas, o Blockchain do Ethereum tem muitos outros: ERC-223, ERC-777, ERC-1155, ERC-1337, ERC-1594, ERC-1644, ERC-1643, ERC-1066, ERC-1400/1410/1404 e ERC- 721, você já deve ter ouvido falar desses dois últimos, respectivamente, padrões para tokens de valores mobiliários (STO**) e tokens não-fungíveis (NFT's***)

**STO - Security Tokens Offering:

Devido às regras financeiras e custos, é importantíssimo saber definir a diferença entre tokens de Valores Mobiliários vs Utilitários. De acordo com a maioria dos reguladores financeiros ao redor do mundo, essa diferença é determinada pelo Teste de Howey:
Neste teste, uma transação é um contrato de investimento se:

  • É um investimento de ativos;
  • Há uma expectativa de lucros do investimento;
  • O investimento de ativos é em um empreendimento comum;
  • Qualquer lucro vem dos esforços de um promotor ou de terceiros

Fonte: Find Law

***NFT - Non-Fungible Tokens

São ativos digitais comprovadamente únicos, que contêm informações de identificação registradas no smart contract, portanto, cria escassez digital. Eles não podem ser duplicados ou divididos. Eles têm muitos casos de uso, incluindo para itens colecionáveis ​​digitais, música, arte e tokens de jogos.
Fonte: Decrypt

Um dos maiores desafios deste empreendimento ocorreu em 2016, quando foi criada uma organização autônoma descentralizada (DAO - Decentralized Autonomous Organization) chamada The DAO, que reunia um conjunto de contratos inteligentes, desenvolvidos na plataforma, responsável pela governança do fundo de capital de risco, esta organização levantou um recorde de US$ 150 milhões em uma venda coletiva/token para financiar o projeto. É até hoje a DAO mais famosa, consistia em um fundo de investimento, onde as decisões de investimentos eram tomadas por voto coletivo em vez de confiadas a um gestor de investimento dedicado. Porém, The DAO foi atacado em junho do mesmo ano, quando US$ 50 milhões em Ether foram levados por um hacker desconhecido. Consequentemente, o Ethereum foi dividido em dois Blockchains separados (um evento chamado "bifurcação" ou Fork) - a nova versão separada tornou-se Ethereum (ETH) com o roubo revertido, e a original continuou como Ethereum Classic (ETC). Apesar da falha do projeto, a inovação que traria não tinha precedentes, e estabeleceu a base para o surgimento de vários tipos de DAO's no futuro.
Fonte: Hackernoon and IOSG medium

Já em 2017, outro grande marco validaria a importância deste projeto, com o surgimento da Ethereum Enterprise Alliance, uma organização de diversos segmentos liderada por membros cujo objetivo é impulsionar o uso da tecnologia de Blockchain do Ethereum como um padrão aberto para capacitar todas as empresas. Entre seus membros podemos encontrar representantes dos principais bancos, as maiorias consultorias, gigantes de supply chain, big tech e muito mais, alguns dos nomes que você encontrará por lá são: JPMorgan, Santander, Ernst & Young, FedEX, Microsoft, SAP e outros.
Veja: EEA-members

Algumas estatísticas em 15 de março de 2021:
Total emitido: 115.066.150 ETH;
Preço do ETH: ~ US$ 1.810;
Capitalização de mercado: US$ 206.524.178.509;
Nodes: mais de 6.000 em todo o mundo;
Smart contracts: média de 200 verificados por dia em 2021

"Invisível, mas onipresente" ou "a espinha dorsal de tudo" são os lemas mais usados ​​por Vitalik durante suas entrevistas. Ele escolheu o nome Ethereum depois de navegar em artigos do Wikipedia sobre elementos e ficção científica. Quando encontrou o nome, em suas próprias palavras: “imediatamente percebi que gostava mais dele do que todas as outras alternativas que tinha visto; suponho que tenha sido o fato de ter um bom som e ter a palavra 'éter', referindo-se ao hipotético meio invisível que permeia o universo e permite que a luz viaje.”

Atualmente, existem inúmeros aplicativos descentralizados (Dapps) por todo mundo, e este cenário está em constante expansão mesmo que isto seja desconhecido para a maioria das pessoas. Uma parte muito importante neste momento é o universo de Finanças Descentralizadas, ou “DeFi”, um termo tão abrangente que engloba a visão de um sistema financeiro que funciona sem quaisquer intermediários, sem bancos, seguradoras ou câmaras de compensação, e é operado apenas pelo poder dos smart contracts. As soluções de DeFi se empenham em cumprir os serviços de finanças tradicionais (também chamada de Finanças Centralizadas, ou apenas CeFi), mas de uma forma totalmente independente, global e transparente."
Fonte: Forbes

Esses protocolos e conceitos inovadores estão impactando a esfera financeira tradicional que, embora adote muitas tecnologias, não mudou muito em sua essência ao longo dos últimos cem anos. A cada dia surgem novas maneiras de oferecer empréstimos - com garantia ou não, contas de poupança, soluções de pagamento - também micropagamentos, mercado de capitais - incluindo alta frequência, remessas internacionais, até mesmo o próximo nível da Internet das Coisas (IoT - Internet of Things), já que os tokens podem carregar valor e também dados adicionais para as máquinas trocarem entre si, sem interferência humana.

Além de tudo isso, há conceitos inéditos como Liquidity Mining e Yield Farming que têm ganho muita atenção desde a metade de 2020, essas novas ferramentas financeiras só são possíveis graças à confiança sistemática existente no Blockchain, smart contracts, e o não envolvimento de quaisquer intermediários. Este ano, 2021, traz o Ethereum 2.0 como uma segunda camada do Blockchain do Ethereum, que irá melhorar significativamente as capacidades da rede, por meio de um maior número de transações e baixo custo, ou seja, menores taxas de transação (gas). Finalmente, iniciando o processo de transição de Prova de Trabalho (PoW) para Prova de Participação (PoS), e abrindo caminho para várias outras inovações que virão. Falaremos bastante sobre isso em um novo post em breve.